segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Quando me apaixono

Ontem, domingão, fui assistir ao primeiro filme da atriz Helen Hunt como diretora. Ótimo. A trama é bem feita e a comédia anda de mãos dadas com o drama perfeitamente.

São dois os focos narrativos do filme. No primeiro, temos uma professora de 39 anos sendo largada repentinamente pelo marido, e que sonhava em ser mãe. 

Na segunda, temos uma professora que vê tudo na sua vida dando errado, sendo encontrada por sua mãe biológica, um tanto louca e apresentadora de um programa de televisão.

Helen Hunt, que interpreta a professora, se sai muito bem unindo esses dois focos com propriedade de diretora experiente, apesar de ser estreante.

O filme conta ainda com Matthew Broderick (eterno Curtindo a vida adoidado), Colin Firth e Bette Midler.

Confira o trailer e já seprograme para o fim de semana:


terça-feira, 27 de julho de 2010

Death Proof

Acompanhando os últimos filmes de Tarantino, fica cada vez mais evidente a maior marca do diretor, proporcionar catarse com o extermínio do antagonista. Ok, normal, nada muito novo na história da literatura e do cinema. Porém, a grande sacada é a carnificina, que eleva essa cartarse à décima potência. Quem não gostou de ver os americanos estourarem o crânio dos nazistas em Bastardos Inglórios? Quem não adorou o Bill tomando o super golpe cobra pai-meiziana e encontrar o Zé Maria?

Death Proof segue a mesma linha, apenas com um novo enredo. Tarantino resgatou Kurt Russell e fez mais um clássico. Apesar de ser de 2007 e ter sido exibido nos festivais do Rio de São Paulo, somente agora ele estreou comercialmente nos cinemas brasileiros.

Veja o trailer, vale a pena:

terça-feira, 6 de julho de 2010

A insegurança de Woody Allen

É bom saber que até os lendários são humanos e têm medo. Em entrevista recente à Telecine, Woody Allen se mostrou um tanto descontente com seus trabalhos.

Depois de fazer cerca de 40 filmes, o diretor/ator/cienasta afirma que tirando um ou dois, entre eles Matchpoint, ele nunca consegue assistir a seus filmes e não achar erros. Segundo Allen, ele sempre tenta fazer um Cidadão Kane, mas acaba por se desapontar e não gosta do resultado.

Demais essa entrevista. Vale a pena conferir o 1 minuto logo abaixo.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O Kindle

Essa semana, fui inquirido para falar sobre o impacto do Kindle (se não sabe o que é, clique aqui * vlw Carina) no mercado editorial e como esse aparelhinho (diminutivo nada afetivo) pode virar tendência também no Brasil.

OK, com certeza vai virar tendência nos EUA, na Europa talvez, mas no Brasil? Sem querer ser Mãe Diná, mas já dando meus pitacos sobre o futuro, acho muito difícil que vire tendência assim tão fácil.
Por mais que a elite brasileira tente se manter nas tendências ditadas pelos americanos, nosso grande país não é formado somente por elite (óbvio). Temos também o pessoal que pega ônibus, que anda a pé, que tem receio e insegurança. Esse é o primeiro argumento para dizer que, quem em sã consciência vai pegar um ônibus com um aparelho do tamanho de um livro que custa mais que um Ipod? Como costumo fazer minhas leituras nos coletivos, eu mesmo não seria tão corajoso. Só vingou realmente com o Ipod porque ele é pequeno e dá para esconder no bolso. Como vou esconder meu Kindle na mochila?!

Tá, mas e a praticidade de levar uma biblioteca inteira em um só aparelho? Vejamos, quem se lembra do velho Discman? Era um barato, você podia escutar seu CD em qualquer lugar. Com os livros é bem parecido; você consegue levar seu livro na bolsa e ler na hora que for mais cômodo. Porém, vieram os mp3 e os Ipods para destruir o velho Discman e deram a possibilidade de guardar uma discoteca inteira em um aparelho só. Você pode estar afim de ouvir 30 músicas de artistas e ritmos diferentes enquanto está caminhando, dirigindo, viajando, correndo. Perfeito. Mas diga, quantos livros diferentes você vai querer ler durante uma viagem de 30 minutos? Um romance simples de 200 páginas eu costumo ler em um fim de semana inteiro livre, ou 3 semanas de viagens de ônibus. Acabou o livro, voltou pra preteleira e eu peguei outro. Por mais que eu esteja lendo 3 livros ao mesmo tempo, um técnico, um romance e um romance diferente para a faculdade, jamais precisarei dos 3 na minha mochila, muito menos de 1500.

Outro argumento seria o incômodo que é ler em aparelhos como Iphone e semelhantes. Porém, o Kindle não emite luz, e tem uma e-ink parecida com aquele quadro mágico para crianças, que não força a vista. Hoje, a tecnologia ainda está precária, como se fosse aquele velho celular analógico. Não existe tinta colorida e ainda demora um pouco pra passar de uma página para a outra. Dessa forma, não é possível ver gravuras, nem as belas capas que os livros costumam ter. Em breve, os cientistas vão melhorar isso aí, não tenho dúvidas. Daí eu me pergunto, como eu vou ganhar um livro de presente? Como eu vou levar meu livro para o escritor autografar? Como eu vou sentir o papel, constatar a qualidade dele, ler a sobrecapa? Como vou tentar ler o título do livro que a pessoa próxima, desconhecida, está lendo e alimentar minha curiosidade? Onde vai ficar todo o charme de mais de 500 anos de tradição?

Com autores estrangeiros aderindo cada vez mais a essa tecnologia e forçando as editoras brasileiras a produzi-la, menos livros físicos no mercado, mais visitas aos sebos. Simples assim.

Pode ser que daqui a 9 anos eu leia esse post e cave um buraco no chão para enfiar minha cabeça, mas pode ser que daqui a 9 anos eu preveja o novo Apocalipse. Quem sabe?

Abraço para quem fica,

Guto Pina

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Papo de Samba

Sensacional!

Há muito eu queria presenciar o Fundo de Quintal, um dos meus grupos de samba preferidos. Uma vez até fui na Fundição Progresso, show do Revelação(?), somente porque o FDQ era convidado. O que aconteceu?
Eu fui, e eles?

Depois desse fato eu nunca mais tive oportunidade de curtir o som deles. Outro que também nunca tinha assistido ao vivo era o Zeca. O pagodinho do Zeca é paixão nacional. Não conheço uma pessoa que fale que ele é ruim, ou coisa do tipo.
Indo pro samba rock, uma vez assisti o Jorge Ben, bem de longe naqueles shows malucos da praia de Copacabana (que prometi pra mim mesmo que nunca mais iria). Não deu pra dizer que assisti de verdade.

Dudu Nobre e Arlindo Cruz: assisti no karaokê que apelidaram de Samba Social Club 2. Uma monte de gente legal lendo a letra dos sambas de raíz. Tudo bem que o Dudu e o Arlindão não leram (muito).

Na Black2Black assisti duas musiquinhas da Dona Ivone Lara, que me deixaram com vontade de assistir a um show inteiro da doce senhora simpática, um dos maiores nomes do samba e raíz.

E não é que essa galera toda vai estar no mesmo show? Nem creditei quando li essa. Após o fiasco que foi o SSC2, a MPB fm está promovendo o Conexão Samba, abertura do FDQ, show do Zeca , Dudu, Jorge Ben, Arlindo e D. Ivone Lara.

O show acontece dia 26/9 na Apoteose, bem a ver com o tamanho da importância desse show. Uma das maiores satisfações é você ir para uma apresentação em que você gostará de todas as músicas, sem exceções.

Confira um dos maiores poetas brasileiros, que com certeza será lembrado nesse show:



Abraços para que fica,

Guto Pina

sábado, 12 de setembro de 2009

Fato (Verídico, como todos o são)

Não acreditava que pessoas pudessem ter um sexto sentido. Até ontem.

Já há aguns anos eu resolvi o que queria fazer da minha vida. Entrei na faculdade certa e comecei a produzir, mesmo que de forma lenta. Corri atrás de anos que perdi sem ter o incentivo certo.

Acho que isso tudo não pode estar estampado na cara de uma pessoa, por isso a história do sexto sentido. Estava eu sentado no banco da praça tirando minha hora de almoço, após comer uma bela feijoada. Eis que vem vindo um senhor, de aproximadamente 60 anos, magro, baixinho, vestindo uma camisa de candidatura da década passada. Até aí tudo bem. Ele pára na minha frente, permanece uns 20 segundos olhando pra minha cara e pergunta se poderia sentar do meu lado. O banco é público, que mal aquele senhor poderia me fazer? Ele sentou e ficou olhando fixamente pra mim. Então, soltou a pergunta que jamais esperaria que ele faria: "Você gosta de ler?"

Sempre fui pára-raio de maluco, mas nunca tinham me feito essa pergunta. Respondi que sim. Ele respirou, pensou, olhou pra mim e perguntou qual era o meu autor preferido. Em outra situação eu já teria feito como a maioria das pessoas, deixaria ele falando sozinho e saía dali. Foi então que suspeitei que se tratava de um senhor desses carentes de prosa. Dei a prosa. Falei que era difícil falar um, mas escolhi o melhor de todos, pensando que talvez esse rendesse pouco assunto e logo eu poderia ir trabalhar. Machado de Assis.

O senhor fez uma cara de "ihhhhh, logo esse". Não entendi a reação. No primeiro momento achei que ele não conhecia. Então, a primeira surpresa: "Essa história do Bentinho e da Capitu... isso é coisa de gente fofoqueira!"

Genial.

Troquei uns dez minutos de crítica sobre Machado com meu mais novo companheiro literato. Discutimos variados aspectos de Capitu e como Machado foi genial em não dizer se ela traiu ou não, deixando uma das maiores dúvidas da literatura brasileira (quisá a maior).

Percebi que já tinha dado a minha hora e ameacei me despedir. O senhor olhou pra mim e disse minha segunda surpresa, essa a maior de todas: "Você deveria ser escritor ou crítico literário."

Arregalei os olhos, totalmente incrédulo no momento.

Disse a ele que já era escritor, crítico ainda não. Quem sabe um dia. Ele não se espantou. Me despedi, já aflito para voltar a trabalhar. Ele me fez um pedido que me confirmou a hipótese de ser um senhor carente de prosa: "Você tem mais 5 minutos pra gente prosar?"
Falei que não, com um certo aperto, e saí rumo à empresa.

Ninguém tem a sua profissão estampada na cara. Será que ele perguntava aquilo a todos, na expectativa de começar uma conversa? Será que ele dizia a todos que deveriam ser escritores ou críticos literários?

Prefiro acreditar que aquele senhor tinha o verdadeiro sexto sentido da prosa.

Abraços pra que fica,

Guto Pina

sábado, 5 de setembro de 2009

O mundo e o Paraíso

Porque o mundo é tão mundo e não é o paraíso?

Me pergunto isso quase todo dia. Porque as pessoas têm que trabalhar 10 horas por dia e não têm tempo de ir a praia pegar uma cor? (use filtro solar, Bial)
Graças a Getúlio, os trabalhadores do nosso Brasil devem trabalhar no máximo 8h por dia. Na minha época de estagiário, eu ficava 9h facilmente trabalhando e resolvendo pepino dos outros. OBS: Nunca ganhei a mais pra isso.

Quando era criança meu sonho era entrar pra Academia Brasileira de Letras, ser um imortal e escrever melhor que Machado de Assis. Se o mundo fosse um paraíso, eu conseguiria. Mas como o mundo é tão mundano, Collor entra pra Academia Alagoana de Letras e Sarney é imortal da Academia Braslieira de Letras. Quem já leu um livro sequer dos dois?

Hoje em dia, só caminho para o paraíso. Me esforço para escrever bem e ser bem entendido. Afinal, é disso que vivo. Se por um ou outro verso meu você identificar uma tensão de romantismo, não se espante, é disso que é feito o mundo. Por mais que ele seja mundano, sempre há uma pitada de romance para nos fazer esquecer da nua e crua realidade: o paraíso não é aqui.

Bom sábado à noite para todos os cantos do mundo.

Abraços para que fica,

Guto Pina