sexta-feira, 3 de abril de 2009

Professor Molusco

Algumas considerações:
1- Não morri no carnaval.
2- Logo estarei sem tempo até para respirar.
3- Jamais abandonarei meu blog.

Feitas as devidas considerações, vamos ao comentário especial de hoje (que provavelmente será um hoje bemm longo):
Estava dando um intervalo no meu projeto (em breve mais informações), e dei de cara com uma banca de jornal, onde estava pendurado um exemplar (claro. se tivesse pendurada uma peça de alcatra seria muito estranho) com a seguinte notícia:

"'Adoro este cara', diz Obama sobre Lula".

No instante pensei:
Coitado do amigo Barack.

Depois do LID, lendo com muita atenção a graça do ilustre presidente, descobri que nosso representante fez um comentário à altura para rebater o elogio do americano:

"Se você encontrar o Obama no Rio de Janeiro, você pensa que ele é carioca; se encontra na Bahia, pensa que é baiano".

Complementarei as sábias palavras de meu grandiloqüente (sim, trema!) presidente:
Se encontrar na Angola você pensa que é angolano, e se encontrar no Equador pensa que é equatoriano!

Que linda aula de geografia!

Bom,
Prometo que volto com textos melhores.
Abraços para quem fica.
Grato pela atenção dispensada,
Guto Pina

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Assalto à Gramática Brasileira

Assaltaram a gramática
Assassinaram a lógica
Meteram poesia, na bagunça do dia-a-dia
Sequestraram a fonética
Violentaram a métrica
(Assaltaram a gramática - Paralamas do Sucesso)

Essa música diz bem o que fizeram com a nossa língua brasileira. Sei bem que muitos penaram na escola para aprender diversas regras de acentuação, e agora não fazem a menor idéia (uso afetivo do acento) de como são acentuadas as palavras. Estão tentando unificar a língua portuguesa (muito nobre isso), mas os prezados se esqueceram que quem faz a língua são os falantes, e não a gramática. A gramática normativa, quanto conjunto de regras, apenas ilustra o que se é falado em uma determinada língua. O mais importante é a gerativa, que está dentro de nós. A dupla ortografia e pronúncia de algumas palavras é prova disso que acabo de afirmar.

Palavras como bebê, agora podem ser grafadas como bebé, e pronunciadas como tal. Purê, bidê e nenê estão no mesmo caso. Ora, mas que coisa mais feia chamar um bebê de bebé.

Jóia já não tem mais o mesmo glamour de antes. Agora é simplimente joia.

As paroxítonas (proparoxítonas continuam sempre sendo acentuadas) homógrafas de palavras proclíticas (consultar Azeredo, Bechara ou Cunha) não ganham mais o acento diferencial! E eu que me gabava tanto por saber usar essa regra... Ele não pára de falar. (incorreto)

Mas aconteceu um assalto que mexeu fundo na minha alma: o Trema. Diria que foi mais que um assalto, foi um latrocínio. Mataram o coitado do nosso trema. Ele, que já não andava muito tranqüilo (mais afetivo do que nunca) com o nosso mundo conturbado. Quem teve sorte foi a Gisele. Sempre terá no nome o nosso ilustre companheiro que já não está mais entre nós (a não ser que bebamos cervejas importadas como München, Kölsch). Agora, além de falarmos com intusiasmo por sermos a pátria de uma das mulheres mais lindas do mundo (quiçá a mais), teremos satisfação de pronunciar o trema em Bündchen.

Acontecia de ler obras um pouco antigas, como Machado, José de Alencar e perceber que a acentuação era diferente naquela época. Agora, me espanto em pensar que em alguns anos alguém poderá ler meus textos e pensar: texto antigo esse.

Então, guardo os relatos para a posteridade. Fomos assaltados. Roubaram algumas de nossas regras que tanto sofremos para reter.

É isso.

Até a próxima.

Abraços para quem fica!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Sobre rock e agregados

Outro dia estava passando pelo blog do Caetano e fiquei espantado. Sempre temos a impressão que os grandes nomes da música, eternizados por uma brilhante obra, não devem saber o que está acontecendo na cena atual. Tenho meu lado saudosista (como queria ter vivido na época de Cartola, Vinícius e Tom), mas aprendi a apreciar a boa música contemporânea. Seu Jorge, Vanessa da Mata, Diogo Nogueira e Los Hermanos (apesar de estarem em hiato), entre outros, mostram que a música brasileira continuará tão sublime e bela (ler Kant) quanto sempre foi.

Caetano, brilhantemente, fez comentários acerca do primeiro álbum solo de Marcelo Camelo, que já está há algum tempo em circulação, e do álbum da nova banda de Rodrigo Amarante, a Little Joy, que foi lançado no fim do ano passado.
Afeiçoei-me mais com o disco do Amarante. Ele, junto ao baterista brasileiro do Strokes, Fabrizio Moretti, e a musicista Binki Shapiro, natural de Los Angeles, conseguiu fazer um rock excêntrico que em alguns momentos lembra Beatles, mas não se atém a um estilo somente. Essa característica mostra a versatilidade dos músicos (Fabrizio toca vários intrumentos como piano, guitarra, entre outros), e de maneira alguma faz com que o álbum fique repetitivo e enjoativo.
Tal feito não surtiu efeito com o álbum de Camelo. Em várias faixas ele abusa dos instrumentais e de um tom monótono que só funciona bem em medidas bem dosadas. A participação de Mallu Magalhães, sua atual namorada, foi boa, apesar de achar que ela canta melhor em inglês do que na sua língua materna. A participação de Dominguinhos, e a marchinha de carnaval, entretanto, dão maior graça ao cd. Apesar de toda monotonia, Camelo cobre bem a proposta do cd Sou (nós), que transmite um tanto de solidão.

Quase que de antemão, informo que o Little Joy fará shows em Porto Alegre (27/1, Bar Opinião), São Paulo (28/1, Clash Club), Belo Horizonte (30/1, Festival Freegels) e Rio de Janeiro (6/2, Circo Voador). No Circo a meia entrada está custando 60 reais.


Mais de antemão ainda, o Los Hermanos está se juntando novamente, depois de 18 meses, para tocar no mesmo festival que está trazendo o excelente Radiohead nos dias 20/03 (Rio de Janeiro) e 22/03 (São Paulo), e os ingressos estão custando 100 a meia entrada, vendidos no http://www.ingressos.com.br/


Creio que não perderei nenhum dos dois.

Pessoal,

Comentários e críticas, pertinentes ou não, serão sempre bem vindas, afinal, o que seria de nós se não pudéssemos expressar nossas opiniões, mesmo que ninguém as queira ouvir?

Até a próxima semana.

Abraços para quem fica.


sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Por que jornalistas virtuais escrevem tão mal?

Deixando o cinema e a literatura um pouco de lado...

Uma das minhas manias é chegar no trabalho e abrir o site da Globo para ver as bizarrices que são escritas. (que minha chefe não leia isso)

Posso dizer que a maioria das matérias de "capa" que leio tem algum erro ortográfico ou gramatical.

Por que isso acontece?

Me deparei com um bonito comercial da globo na tv, que dizia algo sobre informação, dinamicidade.

Ora, estão dinamizando a informação e acabando com a boa escrita!

Relato aqui um trecho na íntegra de uma matéria sobre a pichadora paulista que fez arte na bienal em São Paulo:

"O juiz tem que aplicar a lei, mas sempre perseguindo a Justiça. Para que ela possa ter outro destino que não a cadeia, que é destino para bandido perigoso e para gente que efetivamente já foi condenada", disse Sergei Cobra Arbex, da Ordem dos Advogados do Brasil.

Ai ai...

Estou longe de ser Azeredo ou Bechara, mas até que ponto essa dinamicidade da informação tem o direito de ignorar a nossa gramática?

Considerando a quantidade razoável (para não dizer enorme) de gente que lê esses veículos por não terem tempo de abrir um jornalzinho, o revisor poderia ser acionado mais vezes.

A internet já é uma realidade há tempos na vida dos brasileiros. Formas usadas somente para textos rápidos (vc, pq e cia.) estão ganhando força em textos que não seria adequado esse uso.

Então, Gente, vamos escrever direitinho e preservar nosso patrimônio lingüístico!

E tenho dito.

Abraços para que fica.

Até a próxima semana, feliz natal e bom ano novo!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Chico Buarque de Hollanda


Bom, (bom não, excelente)
Hoje me deu vontade de falar do Chico (me permitam a intimidade).

Estive procurando, e parece que o filme Budapeste, adaptação de seu romance, está para ser lançado em janeiro de 2009.
Estou em êxtase.
Li pela primeira vez o livro em 2006, e tive que tornar a ler com maior maturidade em 2007.
Ansiosidade em demasia.
Pelo que soube:

Diretor: Walter Carvalho, co-diretor de Cazuza - o tempo não pára, diretor de fotografia de Carandiru entre vários outros.
Roteirista: Rita Buzzar, roteirista de Olga, entre outros.
Elenco:
Leonardo de Medeiros (Cabra-cega, O cheiro do Ralo, prefeito corno de A favorita)
Giovanna Antonelli (várias novelas e alguns filmes)
Ivo Canelas (Português)
Andras Balint (Húngaro)
Antonie Kamerling (astro holandês que também faz sucesso na Alemanha)
Gabriella Hámori (Húngara)
*atualização posterior

Sobre o diretor, nada contra. Gostei de Cazuza, foi chocante.
Será sua primeira direção solo de um longa. Creio que não será ruim.

Rita Buzzar estudou em Cuba com Gabriel Garcia Márquez. Isso é o que mais me chama atenção em sua biografia. Apesar de não ter gostado muito de Olga, acho que conseguirá adaptar legal o romance.

Sobre o elenco, confesso que ainda não vi o tão falado Cabra-cega. Mas sempre ouvi falar muito bem sobre.
Consigo até ver alguma similaridade do prefeito corno com José Costa. A dramaticidade excessiva da novela acaba com o personagem, mas aposto que será uma boa atuação de Leonardo de Medeiros.
Sem comentários para Giovanna Antonelli.

Eu comecei querendo falar sobre o Chico, e acabei falando de filme.
Sobre o livro sou suspeito demais para falar.
Sou fã incondicional do Chico. Música, poesia, dramaturgia, todas as manifestações de seu lirismo.
Budapeste foi um dos que me influenciou a escrever e pensar em fazer um romance.
Então, para mim o livro é marcante.
Leiam.

Fico por aqui.
Assim que tiver alguma idéia do que escrever, voltarei.
Abraços para quem fica.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Wood Allen


Falando em cinema novamente...
Estou fazendo um intensivo de Wood Allen. Grande roteirista e diretor.
Há meses assisti no cinema "O Sonho de Cassandra", semana passada assisti ao Noivo neurótico, noiva vervosa (Annie Hall) -de 1977, e essa semana ao novo Vicky Cristina Barcelona, com Javier Bardem, Penélope Cruz e Scarlett Johansson.
Javier ótimo como sempre.
Penélope talvez em seu melhor papel . (disputando com Volver)
E a queridinha Scarlett fazendo jus ao apreço do diretor.

Foi um dos melhores filmes que assisti no cinema por essas semanas.

Allen explorou bastante a questão das relações amorosas e não se ateve aos simples conflitos de romance barato. Foi o pentágono amoroso mais bem feito na minha singela opinião.

Assistam... esse vale a pena.

Mudando de assunto,
Uma pena o Pedro Cardoso não ter ganho o Emmy ontem pelo personagem Agostinho (um dos mais engraçados de todos os tempos). Merecia.

Concorremos em 6 categorias e voltamos para casa de mãos vazias.
Nossos hermanos levaram um premiozinho.


Abraços pra quem fica.
Até a próxima semana.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Cinema Nacional

Ainda sobre as eleições,
Foi a primeira vez que nós cariocas vimos alguém ganhar a eleição por conta de um feriado. Que ironia, nós gostamos tanto de feriados.

Sem mais comentários sobre isso.

Agora, sobre o cinema nacional.

Nos últimos anos tivemos tantos filmes ótimos nacionais, graças às leis de incentivo e outros fatores, que confesso que esse foi o motivo que me impulsionou a escrever roteiros para o cinema.

Porém, semana passada fui dar minha contribuição para o cinema nacional assistindo a um filme na promoção dos dois reais mais caros da minha vida. Fui assistir a "Era uma vez...". Filme de Breno Silveira, estrelando Thiago Martins, Rocco Pitanga, Vitória Frate e outros.

Rapaz.
Pior filme brasileiro que eu já ví na vida.
Ganhou de "O ano em que meus pais sairam de férias".

E pasmem,
Conspiração filmes, Globo filmes e Sony pictures apresentam:
Era uma vez...

Poderiam ter gasto melhor esse dinheiro heim...

Tudo muito fraco. Roteiro, direção, atuação.
Thiago Martins e Rocco Pitanga não foram tão mal assim em suas atuações.
Mas a história é muito fraca.
Não vou fazer resenha crítica porque seriam páginas e mais páginas.

Apesar disso, acho que tudo que absorvemos de ruim e de bom acaba sendo produtivo, né?
(Aprendi que não vale a pena tocar Claudinho e Buchecha no baile funk do morro pra forçar uma cena romântica).

Bom.
Fico por aqui.
Espero voltar com algo mais interessante.
Abraços pra quem fica.